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CHANTE NIGHTZ

Na periferia de São Paulo dos anos 80, respirei o ar denso de uma era em ebulição: o grito primal do Graffiti nas paredes de concreto, a caligrafia insurgente da pixação, a territorialidade crua das gangues, o cutelo anárquico do punk, o frio sintético e as cores berrantes da new wave, o sangue derramado em tinta da poesia marginal, o vôo rasante do skate sobre o asfalto hostil. Não fui apenas testemunha; fui um sismógrafo humano, registrando as fissuras e os tremores dessa paisagem social. Minha atuação, muitas vezes, foi a do observador crítico – agudo, mas consciente de seus próprios limites, um estrangeiro em seu próprio território.

 

Minha resistência se deu na coleta meticulosa de fragmentos: colagens que eram cartografias do caos, discos que eram discursos em vinil, livros e revistas de fotografia que eram janelas para mundos paralelos. Tudo devorado com o apetite voraz de quem busca decifrar códigos da contracultura – essa entidade difusa que era meu verdadeiro currículo.

 

Nos últimos 30 anos, 15 deles dedicados a fotografia, venho forjando um corpo de trabalho que é mais do que uma homenagem; é uma escavação arqueológica do sensível. Mergulho nas camadas geológicas do período que vai do final dos anos 60 ao início dos 90, não com nostalgia, mas com um bisturi. Minha lente penetra a carne viva dessa época, sondando suas cicatrizes, seus excessos, seu sangue e sua maquiagem barata. Abraço deliberadamente o kitsch como linguagem crítica – o exagero como espelho distorcido de um tempo que foi, ele próprio, uma distorção violenta da realidade.

 

Quando penso em fotografia, não penso em capturar instantes. Penso em construir cinematografias congeladas. Cada imagem que crio aspira à densidade narrativa de um frame roubado de um longa-metragem invisível. São quadros que contêm universos inteiros de contradição, onde o sublime e o banal, o político e o poético, o brutal e o delicado, coexistem em tensão fértil. E é nesse espaço híbrido que floresce o nonsense necessário – o absurdo como lógica última de um mundo que, visto de perto, sempre foi um quebra-cabeça com peças faltando. Esta é a minha arqueologia do desassossego, meu mundo Chante Nightz.

FOTÓGRAFO E CURADOR

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William Baglione é um artista visual, curador, fotógrafo e editor de livros com atuação expressiva na cena cultural brasileira e internacional desde a década de 1990. Sua trajetória multifacetada abrange projetos em artes visuais, curadoria de exposições, direção artística e publicações editoriais que dialogam com a cultura urbana, a fotografia autoral e a valorização de legados pessoais e coletivos.

Marcos de Carreira :

 * Fundou o coletivo de artistas Famiglia (2005–2012), onde atuou na gestão de carreira de oito artistas, promovendo exposições, produções para colecionadores e colaborações com marcas.

 * Atuou como curador de exposições no Brasil e no exterior, com destaque para centros culturais e galerias nos Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, Rússia e na Amazônia brasileira.

 * Foi curador de eventos internacionais, incluindo colaborações com as embaixadas brasileiras em Moscou e Londres. Também assinou a curadoria de uma edição especial da revista norte-americana Juxtapoz, dedicada à arte brasileira.

 * Co-curador da exposição SOS Racisme no renomado Palais de Tokyo, em Paris.

 * assinou a curadoria e direção artística do projeto Street River (2017 e 2022), que uniu arte urbana, sustentabilidade e inclusão social na região amazônica. 

  • É o curador chefe do maior festival de arte urbana do Norte do país , MAUB (2023/2024/2025)

 * Desenvolveu trabalhos como fotógrafo, com exposições na França, Itália, EUA e Brasil. Seu foco reside em ensaios conceituais que mesclam performance, cultura B e estéticas urbanas.

 * É sócio-fundador das Editoras Afluente, Nascente e Oca Books, veículos voltados à publicação de projetos autorais, livros de arte, biografias e registros culturais com abordagem contemporânea e tecnologia sob demanda.

Com um olhar provocador, sensível e em constante evolução, William Baglione é reconhecido por seu compromisso com a arte como ferramenta de expressão, memória e transformação.

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